O governo de Rondônia encerrou a campanha Janeiro Roxo com um conjunto de ações voltadas ao fortalecimento da vigilância em saúde, ao cuidado humanizado e à ampliação do acesso à informação sobre a hanseníase. As iniciativas combinam medidas técnicas, articulação institucional e estratégias de comunicação que buscam enfrentar a desinformação ainda associada à doença, além de resgatar aspectos pouco conhecidos da história sanitária do estado.
O enfrentamento à hanseníase tem sido tratado como prioridade pela gestão estadual. O governador Marcos Rocha destaca que os investimentos se concentram tanto na estrutura da rede de saúde quanto na qualificação das equipes que atuam na linha de frente do atendimento. “O estado tem investido na estruturação da rede de saúde, na qualificação das equipes e no fortalecimento das políticas públicas voltadas ao diagnóstico oportuno e ao tratamento adequado, garantindo dignidade, acolhimento e cidadania às pessoas acometidas pela doença”.
Esse compromisso também se reflete na articulação permanente com o Ministério da Saúde, no fortalecimento da rede laboratorial, na adoção de novos protocolos clínicos e no alinhamento às metas internacionais para a eliminação da hanseníase como problema de saúde pública. A estratégia envolve desde ações preventivas até o acompanhamento contínuo dos pacientes, com foco na interrupção da cadeia de transmissão.
Avanços nos indicadores de vigilância
Os resultados mais recentes indicam avanços relevantes. Em 2024, Rondônia superou a meta nacional de 80% na vigilância de contatos, alcançando 86,1%. O desempenho está associado à ampliação da busca ativa, à introdução de testes rápidos para contatos e ao uso mais amplo de exames de biologia molecular, como o q-PCR. O estado também avançou na implementação do Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas, além de investir na capacitação do Laboratório Central de Saúde Pública, o Lacen, com apoio técnico e fornecimento de insumos pelo Ministério da Saúde.
As ações são desenvolvidas de forma integrada, com participação direta dos municípios, profissionais de saúde, instituições sociais, comunidades religiosas e parceiros estratégicos. Essa articulação tem permitido ampliar o alcance das estratégias de prevenção, diagnóstico e acompanhamento, criando uma rede de cuidado e vigilância mais capilarizada em todo o território rondoniense.
Atuação ampliada da Agevisa
A coordenação das ações está a cargo da Agência Estadual de Vigilância em Saúde de Rondônia, por meio da Coordenação Estadual de Controle da Hanseníase. O diretor-geral da Agevisa/RO, Gilvander Gregório de Lima, ressalta que o trabalho vai além da vigilância epidemiológica tradicional. “O governo de Rondônia adota uma abordagem ampliada, que integra ações técnicas, sociais e comunicacionais, promovendo saúde com dignidade e contribuindo para a reparação dos danos históricos causados por décadas de exclusão e invisibilidade social”.
Entre as principais estratégias estão a capacitação contínua dos profissionais da Atenção Primária à Saúde, supervisões técnicas regulares, vigilância ativa de contatos, implantação de Grupos de Autocuidado, monitoramento sistemático dos indicadores epidemiológicos e intervenções direcionadas a municípios considerados prioritários. Entre 2023 e 2025, foram registrados 1.153 casos novos no estado, sendo 343 apenas em 2024, com taxa de detecção geral de 19,7 casos por 100 mil habitantes.
Comunicação e resgate da memória
Além das ações assistenciais e de vigilância, a Agevisa/RO investiu em uma iniciativa inédita no campo da comunicação em saúde. Foi produzido um webdocumentário que resgata a história da hanseníase em Rondônia, disponível na plataforma de streaming do governo estadual. A obra aborda o papel de instituições públicas, comunidades religiosas e da sociedade ao longo das décadas, especialmente no período marcado pelo isolamento compulsório, pela exclusão social e pela discriminação das pessoas acometidas pela doença.
A produção, assinada pela assessoria de comunicação da Agevisa/RO, reúne pesquisa bibliográfica, história oral, investigação em campo e levantamento iconográfico. O objetivo é reconstruir narrativas que permaneceram restritas à memória de sobreviventes e familiares, transformando esse conteúdo em material de educação em saúde e preservação histórica.
Para a coordenadora estadual da hanseníase, Carmelita Ribeiro, a iniciativa reforça que o controle da doença não se limita ao tratamento medicamentoso. Segundo ela, a hanseníase tem cura e o tratamento ambulatorial é ofertado gratuitamente pelo SUS, mas o enfrentamento efetivo exige informação de qualidade, fortalecimento dos grupos de autocuidado e ações educativas permanentes.
A comunicação estratégica cumpre papel central nesse processo ao ampliar o acesso à informação correta, combater a desinformação e reduzir o estigma historicamente associado à doença. “Levamos mais de um ano em pesquisas e, o resgate histórico se consolida como ferramenta de educação em saúde e de enfrentamento ao estigma e discriminação, além de preservar a memória da história da saúde pública rondoniense”, afirma a jornalista da Agevisa/RO, Aurimar Lima.
Fonte: Portal do Governo do Estado de Rondônia
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